Pipe Fapesp Em 4 anos, empresa formada por metalurgistas do IPT e do Ipen centuplica faturamento; segredo é conhecimento dos pós metálicos ;

Conhecimento e oportunidade

Pesquisadores criam empresa que usa pós metálicos para a produção de filtros industriais

Discos porosos são usados em vários equipamentos das indústrias químicas e siderúrgicas Quem visita as acanhadas instalações da empresa Brats, estabelecida em uma casa de três pavimentos numa movimentada rua do bairro do Rio Pequeno, na zona Oeste de São Paulo, não vislumbra as inovações tecnológicas que são desenvolvidas ali dentro. A empresa está se transformando numa das principais fabricantes nacionais de filtros de aço inoxidável e de pós metálicos especiais, produtos inéditos no país ou com processo de fabricação dominado por poucas empresas. Criada há pouco mais de quatro anos, em abril de 2002, a Brats é um bom exemplo de como o elevado conhecimento científico de seus sócios, aliado ao senso de oportunidade, pode render frutos e se transformar num negócio lucrativo.

A empresa foi fundada por cinco pesquisadores com formação em metalurgia do pó e elaboração de metais e ligas. Três deles fazem parte do quadro do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e os outros dois são ex-pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) do Ministério da Ciência e Tecnologia. “Resolvemos nos juntar para criar uma empresa focada no desenvolvimento de novas tecnologias na área de metalurgia do pó. E, para isso, usamos todo o
know-how adquirido em mais de duas décadas de pesquisas”, conta o engenheiro metalurgista Lúcio Salgado, expesquisador do IPT e doutorado pelo Ipen, um dos fundadores da Brats. O começo da empreitada não foi nada fácil. Com poucos recursos para investir, a saída encontrada foi instalar a Brats numa pequena sala do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), localizado no prédio do Ipen na Cidade Universitária em São Paulo, onde a empresa permaneceu por um ano e meio, até ser transferida para a sede atual.

Segundo Salgado, também foi fundamental para o início e a sobrevivência do empreendimento ter obtido recursos da FAPESP, por meio do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (Pipe), para o desenvolvimento de filtros sinterizados (processo de produzir um material por conformação de pós por compactação e aquecimento em altas temperaturas) de aço inoxidável de alto desempenho. Essas peças, até então não produzidas no Brasil, foram a primeira aposta da empresa, que, posteriormente, teve três outros projetos do Pipe aprovados pela FAPESP. Veja a Publicação completa